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Loucuras, vida e perdição.




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EM CASO DE COMA! - ME COMA!



Loucuras, vida e perdição.



Sexta-feira, Janeiro 27, 2006
24 horas

O telefone toca, e é uma nova proposta de emprego à alguém que estava desanimado com o mundo e não tinha mais esperanças para nada, para quem já tinha se acostumado à sentar todos os dias na mesma mesa olhando as goteiras do teto e os rasgos do carpete. Um telefonema, uma entrevista e outro telefonema. Como água numa planta de vaso, novas possibilidades. Em menos de 24h tudo ser renova.
Um tombo e a luz se apaga, o coração pára de bater e tudo se acaba. A pessoa que tinha grandes esperanças do seu mundo pequeno não conseguiu realizar seus sonhos de se casar, ter filhos, cuidar do marido. Morreu cuidando da tia velhinha que estava morrendo. Um piscar de olhos e os seu caminho de 30 anos se encerrou. Em menos de 24h, em menos de um segundo.
Enquanto isso as crianças empinam pipas naquele longo dia de férias.
postado por: Traquinas! 10:31 AM Comments:



Terça-feira, Dezembro 13, 2005
Não estou conseguindo ver esse blog.
postado por: Traquinas! 2:58 PM Comments:



Sexta-feira, Novembro 25, 2005
Silêncio

Fazia muito tempo que eu não me sentia tão só. A página continua em branco e eu não consigo falar. Essa é a minha solidão, não conseguir falar o que eu sinto e ainda por cima deixar que falem o que sentem e o que não sentem, falam só por falar, só por medo do silêncio.
Não tenho medo do silêncio, tenho medo do meu silêncio que pode um dia se tornar uma trovoada que espanta os outros e faz com que todos tampem os ouvidos para não me ouvirem.
Eu só tenho saudades do tempo em que as coisas eram mais simples e dinheiro pra comprar um sorvete no final da tarde era tudo o que eu queria.
postado por: Traquinas! 2:36 PM Comments:



Quarta-feira, Novembro 16, 2005
TPM

A vida passa, o trem passa, o ferro passa.
A cabeça fica, a dor passa, a hora passa,
O coração fica, o fígado fica, o carro passa,
O desejo fica, a vontade passa.

postado por: Traquinas! 3:53 PM Comments:



Segunda-feira, Outubro 31, 2005
Sopa da Alma

Não fui trabalhar hoje, minha garganta dói, meu corpo está mole e já tomei uma injeção no hospital hoje de manhã. É apenas uma virose, algo misterioso para nós pobres mortais, mas que resolve todos os problemas de diagnóstico. Medicina à parte, isso não é importante, depois da injeção só preciso de um pijama e um belo prato de sopa da Isabel e logo estarei de novo em cima da minha moto andando por aí. O corpo é fácil de sarar, o difícil e cuidar da alma.
Muitas vezes ouço as pessoas falarem que não têm tempo de se cuidar, que deveriam frequentar uma academia, fazer mais exames de check-up, comer melhor, beber menos, não fumar. Não se concordo plenamente com essa definição de se cuidar. Eu me exercito sempre, não bebo, não fumo, e sempre faço meus exames periódicos mas mesmo assim às vezes parece que estou muito mais pesada que os meus cinquenta quilos.
Ontem descobri , na verdade constatei uma teoria, que a alma pesa muito mais que o corpo quando não cuidamos dela corretamente. Trabalho, conta de luz, de água, vazamentos no teto da casa são só desculpas para não darmos a devida atenção para a real vida que está dentro de nós, que está dentro de tudo inclusive em coisas que pensávamos que nem gostávamos.
Já enfrentei chuva e tempestade ao assumir que não gostava de MPB, realmente a voz de alguns cantores, a melodia das músicas ou sei lá o que, nunca me agradaram, mas sempre afirmei a plenos pulmões, que a nossa música é um exemplo de poesia. Sim, as letras do Chico, de Caetano e de tantos outros me deixam atônita. Lembro a primeira vez que eu li a música Construção, foi numa aula de português do colégio, eu queria dar um beijo em quem escreveu, como eu sempre quero fazer quando eu gosto de algo. Minha professora toda entusiasmada me mostrou a música cantada, foi uma decepção, não era assim que eu imaginava que aquelas palavras deveriam ser desencadeadas, não era daquela maneira que a minha construção tinha sido erguida. Mas guardei a letra junto com a minha cópia de ¿Uma pedra no meio do caminho¿.
Ontem, em meio à febre do meu corpo entrei num lugar que passo em frente todos os dias, pois é próximo de onde eu ganho o meu ¿pão nosso de cada dia¿. Desse lugar eu tive sempre o direito de pôr meu pés nas calçadas, mas para além das portas apenas aqueles que podiam gastar num dia tudo o que eu não consigo ganhar num mês eram convidados a entrar.
Mas como num sonho as portas foram abertas, algo tão especial que ainda não conseguia distinguir se era sonho ou realidade. Enfim eu estava ali sentada na platéia ao lado de celebridades e outras pessoas como eu de carne e osso mas tão diferentes apenas pelo simples fatos que na nossa imensa igualdade somos todos diferentes ao nosso modo. Ali ia ser servida a sopa que a muito tempo a minha alma pedia e eu não conseguia preparar.
Ele ali, no meio do palco conseguiu fazer com que eu aquecesse a garganta da minha alma, que não sabe cantar, mas que ama as palavras. Os meus olhos agradeceram por enxergarem, apesar da miopia, a Construção ser erguida com os tijolos que eu acho mais forte.
Como minha alma ficou mais forte depois daquele banquete de SOPPA, aquele tempero, e aquele carinho como ela foi feita me fez esquecer do trabalho, das contas de água e das prestações do carnê. Sim, eu sei que aquela SOPPA foi feita com muito carinho, pois só as coisas feitas com prazer podem dar prazer real aos outros. Aplaudo de pé! E por fim consegui dar um beijo em quem fez daquele espetáculo um verdadeiro ESPETÁCULO.

OBS. Obrigada PPRangel por me dar a oportunidade de apreciar sua SOPPA. E que estiver faminto de um verdadeiro alimento para alma não deixe de assistir.
SOPPA DE LETRA
postado por: Traquinas! 12:40 PM Comments:



Sexta-feira, Outubro 28, 2005
A mãe - desejo

Quando eu era moça era muito difícil arrumar namorado, eu era grande demais e no Pernambuco só tinha uns nanicos que davam no meu peito. Um dia eu arrumei um namorado que olhou bem para minha cara e disse:
- Nossa Nanci, como tu é alta! Daqui debaixo eu só consigo ver esses tufos de cabelo que sai dessa sua pinta debaixo do queixo!
Dei um tapa bem no meio das fuças daquele cabra safado. Quem era ele pra ficar assim reparando em mim? Eu era moça direita e não admitia que tivesse esse tipo de liberdade comigo! Não era para ninguém ficar reparando na minha cara antes de casar!
Por essas épocas a seca apertou e a nossa família teve de se arribar do norte pra tentar a sorte no sul. Lá no Paraná tinha uns parentes, era um povo crente, eles escreveram pro meu pai contando as maravilhas daquele lugar. Tinha comida pra tudo quanto é lado, o sol não queimava os miolos da gente e dava até pra chupar laranja no pé!
Daí a gente foi, nem sei como todo mundo chegou vivo lá, primeiro a gente teve de caminhar 180 quilômetros até Recife, ia umas 20 pessoas. Minha mãe tinha acabado de tirar resguardo mas já tinha secado os peitos, ia com o meu irmãozinho no colo, e como não tinha nada pra dar pra ele amassava um pedaço de queijo que tinha na matula, colocava um pouco de água e dava pra ele beber.
Meu pai tinha uma cara engraçada, era branco que nem leite mas tinha umas manchas pretas na testa e nas bochechas, parecia que ele tinha nascido preto mas que com o tempo desbotou tudo e só faltava clarear aquele pedaço, ainda bem que não clareou porque senão ele ia acabar ficando com cara de alma penada. O cabelo era loiro mas depois de um tempo que a gente tava no Paraná o cabelo dele ficou preto, parecia que ele tinha nascido ao contrário, primeiro tinha sido velho lá no sertão daí foi remoçando até ficar com o cabelo preto igual a crina do cavalo do seu Oscar Aranha.
Minha mãe era magra, com uns cambitos tão finos que mais parecia uma siriema mas sempre teve um buchão, parecia que ela tava sempre prenha mesmo depois de ter tido meus 14 irmãos e eu.
Eu sou a do meio, a maior de todas, por isso tive de levar meus irmãozinhos escanchados em mim até casar. A cada novo irmão era uma nova veia quebrada que aparecia nas minhas pernas grossas, meus irmãos me atazanavam e me chamavam de perna de pilão rachado.
Minha cabeça parece que cozinhou naquele caminho até Recife, só lembro do queijo do meu irmão que uns malinos roubaram e comeram antes da gente chegar em Recife, daí minha mãe teve de dar fafofa d'água pro bebê. Debaixo daquele sol eu só pensava em encontrar um noivo quando chegasse lá no Paraná pra poder morar num lugar que tinha laranja no pé pra chupar, e se desse pra plantar mandioca eu ia poder esperar meu marido todas as tardes com café e bolo de puba. Enquanto eu sonhava à vezes acabava fazendo um dos moleque mais novos chorar, daí minha mãe me dava uns croques, mas nem doía muito, minha cabeça era muito mais dura que os dedos magros dela.
As únicas coisas gordas nela eram o bucho e duas pintas, uma no queixo e outra no nariz que cresciam tanto mais quanto ela emagrecia, hoje em dia ela têm o tamanho de uma bola de gude e parecem que armazenam toda a juventude que elas furtaram da minha mãe. Ao contrário do meu pai ela não remoçou, mas também não envelheceu, se ela tivesse um retrato de 40 anos atrás não teria diferença de um retrato tirado hoje. O cabelo ainda é preto e o bucho ainda está no tamanho do bucho quando tinha um moleque dentro.
Não me lembro de mais detalhes daquela viajem, um dia eu me convenci que se você ficar guardando as coisas ruins dentro de si um dia elas explodem e acabam te matando, que nem aquele doutor da cidade que tinha receitado remédio para nossas vermes, e a gente ficou cagando dois dias umas minhocas estranhas, eu não lembrava de ter comido minhocas, mas elas estavam saindo aos montes de dentro de mim. Disseram que o tal doutor teve um derrame na cabeça, fiquei com medo e na época eu pensei que ele tinha tomado o remédio de lombrigas e elas não achando o lugar certo tinham ido parar na cabeça, mas meu pai me explicou que não foi isso mas que ele tinha guardando tantas lembranças ruins que tinha lotado a cachola dele e explodido. Desde esse dia que eu não guardo mais as coisas ruins dentro de mim, às vezes é difícil, mas achei um jeito delas sumirem rapidinho, é só chorar bastante antes de dormir, a gente dorme gostoso e no outro dia o sol parece que brilha mais forte que nos outros. Tive de chorar muito pra esquecer aquela viajem, mas consegui, porque as únicas coisas que eu ainda não consegui esquecer foram as que eu disse antes. E ainda por cima eu já vi muitas histórias iguais a minha, de viagens de fuga da seca, e elas são todas iguais só mudam as pessoas e o nome dos cachorros.
O que eu me lembro direitinho foi do dia em que a gente chegou no Paraná e se encontrou com os nossos parentes. Eles pareciam aqueles artistas das revistas, todos com roupas fechadas e compridas, todos fortes, minha tinha era gorda que nem uma barrica, nunca tinha abraçado ágüem gordo, era tão macia, meu tio tinha um bigode bonito penteado pros lados e meus priminhos mais novos usavam sapatos. Foi muito lindo aquele dia, a gente que não tinha nenhuma roupa comprida, estava tremendo de frio, meu tio emprestou o casaco pra minha mãe e meu irmãozinho e minha tia, que era irmã do meu pai, abraçou a mim e a meus outros irmãos, meu tio era muito luxuoso, a casa fazenda não ficava nem a 10 km da rodoviária mas mesmo assim ele não quis ir à pé, pegou a carroça da fazenda emprestada e foi buscar todo mundo.
Ali sentada no banquinho da carroça eu arregalava os olhos pra conseguir ver todas aquelas árvores enfileiradas, não eram pés de laranja, eram umas frutinhas miudinhas vermelhas e lisas, as frutas mais lindas que eu já vi. Quando a gente chegou os cachorros fizeram a festa, mas não gostaram muito do meu irmão mais velho e arrancaram uma lasca da canela dele. Encostei logo no fogão de lenha da minha tia pra me esquentar, vi que tinha vários baldes de água esquentando, não entendi pra que ia servir aquilo, mas logo a minha tia pegou um daqueles baldes, encheu uma tina e começou a dar banho nos meus irmãos, nunca tinha visto ninguém esquentar água pra tomar banho, fiquei com medo de arrancar meu couro assim como acontecia quando a gente escaldava um frango do quintal pra comer. Minha prima que tinha mais ou menos a minha idade, me levou pra um quartinho com um buraco no chão e disse que uma mocinha não podia tomar banho na frente dos outros, no princípio eu não quis tirar a roupa na frente dela, disse que não carecia de tomar banho, mas ela insistiu e disse que se eu não tomasse banho ela não me emprestaria uma roupa comprida e eu ia morrer de frio. Olhei pra aquela tinha de água quente e pensei nas galinhas, pensei no inferno, e tive medo. Minha prima então, para zombar de mim jogo uma caneca daquela água na minha cabeça, eu de roupa e tudo. Como aquilo era maravilhoso, aquela água não se parecia nada com o inferno, parecia muito mais como um batismo dos anjos, levando embora toda aquela terra seca que ainda me cobria e esquentando minhas orelhas. Usei o sabão da minha prima que cheirava rosas e me senti com menos 20kg sobre o corpo, mesmo depois de colocar uns 40kg de roupa no corpo porque fazia muito frio.
Saí daquele quartinho como se o Espírito Santo me abençoasse pra um novo mundo. Os meus primeiros 12 anos da minha vida não contariam mais, choraria umas noites e acabaria esquecendo toda fome e sede que um dia passei.
Quando eu voltei tinha pão, café, leite e uma cesta de laranjas em cima da mesa, meus irmãos estavam penteadinhos esperando cada qual sua porção, e no cantinho da sala estava a coisa mais linda que um dia eu vi na minha vida. Era um moço com os olhos verdes que nem as folhas das árvores, com o cabelo enroladinho igual a talo de chuchu e um monte de espinhas vermelhas na cara, parecia um abacaxi maduro. Quando se levantou eu vi que ela era mais alto que, tinhas os braços fortes, parecia duas aroeiras.
Tomei meu café, mas nem senti o gosto do pão direito, o moço era meu primo, que dali uns dias ia se mudar pro Mato Grosso pra cuidar das terras do irmão mais velho, um que tinha idade pra ser meu tio mais velho. Eu não olhava pra ele, porque ele se escondia e não falava uma palavra sequer, mas eu sabia cada milímetro do seu rosto e do seu corpo.
No prazo de vinte dias ele se mudou, quase morri de desgosto, a única vez que ele falou comigo foi pra mandar eu sair de cima da camisa dele onde eu estava sentada. Quase morri de saudades, mas não chorei porque não queria esquece-lo.
Um dia eu tava chupando laranja trepada no pé quando meu tio me entregou uma carta que o Luízo tinha mandado pra mim. Quase caí do pé, minhas pernas estavam mais moles que jaca passada, meu coração parecia que ia sair pra fora da caixa dos peitos. Ainda não sabia ler direito, tinha acabado de entrar no grupo escolar então corri pra minha prima ler pra mim o que tava escrito. Primeiro ela leu, arregalou os olhos e começou a rir sem parar, eu já doida com a situação quase dei um safanão na garota mas se eu batesse nela ela ia se zangar e não ia me dizer que tava escrito, daí eu teria de aprender primeiro a ler todas as letras juntas pra poder conseguir saber o que ele queria comigo. Esperei o ataque dela passar emburrada, com um beiço quase arrastando no chão. Mas enfim ela leu:
¿Nanci, aqui nesse lugar só tem mulher da vida. Quero que você case comigo porque sou homem de religião e não quero viver nesse pecado. Vou juntar dinheiro, e assim que der eu vou aí te buscar. Saudações. Luíz¿
Meu coração parou, minha vista escureceu e eu caí dura no chão, quando acordei minha mãe tava jogando água na minha cara, minha tia gritando meu pai e meu tio pra me acudirem e meu irmãos olhando pela janela. Tinha um galo enorme na testa e sangue na minha boca. Minha tia estava ralhando com a minha prima e perguntava o que tinha acontecido. Quando souberam, me largaram ali jogada no chão para fazer festa, enquanto meu lábio escorria sangue, eles se abraçavam e eu sonhava com príncipe encantado de olhos verdes e espinhas na cara.
postado por: Traquinas! 8:51 AM Comments:



Segunda-feira, Outubro 24, 2005
Não sei, estou com sono, meus olhos ardem. Minhas mãos estão frias e minha pele meio morta. Estou viva, mas ainda não me dei conta disso.
postado por: Traquinas! 8:41 AM Comments:



Terça-feira, Setembro 20, 2005
Motoqueiros x Motoristas de carro

Sabe aquela fila ali do lado que tem dois carros a menos que a sua? Vá correndo pra ela porque os 3 segundos que você vai ganhar vai fazer com que todos os cataclismas do mundo deixem de existir, você vai ficar mais rico, vai crescer um pouco mais de cabelo na sua cabeça.
-POW!
A não! Esse desgraçado de motoqueiro tinha de estar vindo, deviam todos morrer porque assim não haveriam mais assaltantes mascarados, nem retrovisores quebrados nem pizza no sábado à noite. Pensando bem, os das pizzarias poderiam sobreviver.
Ele tá ali ensangüentado no chão. A NÃO!!!! A porta amassou e fez vinco, não dá nem pra levar no martelinho de ouro.

Sabe aquele espaço ali, entre aquele motoqueiro lerdo e a traseira do caminhão atravessado no meio da pista? Eu caibo ali se passar devagar. Mas se eu passar devagar os outros motocas vão duvidar da minha capacidade de pilotar, daí quando eu for no GRAU domingo todos vão tirar sarro da minha cara. Vou enrolar o cabo e passar de uma vez.
-POW!
A não! Esse desgraçado de motoqueiro lerdo tinha de de botar o pé no chão porque o caminhão fechou ele completamente! Agora eu vou ter de passear de resgate enquanto esse lerdão vai embora numa boa.

Sabe a pista de carro? Pois é, um idiota de motoqueiro está andando bem mo meio como se tivesse direito de ocupar esse espaço todo com a sua insignificância. Vou passar raspando na moto pra ele ver quem manda.
-POW!
A não! Esse tal de vácuo que um dia eu ouvi falar numas aulas de física existe mesmo, a besta humana está ali no chão porque desequilibrou quando eu passei bem perto dele. Eu só queria me vingar das vezes em que estava sufocando num engarrafamento e ele passava por mim sem nem desmanchar meu penteado. Pois é, uma bola de basquete quicando ao lado de uma bola de tênis não é igual a uma bola de tênis quicando ao lado de uma bola de basquete.

Sabe aquele apoio para os pés onde o garupa se apóia? Ele foi feito pra raspar no chão e sair um monte de faíscas quando eu faço uma curva.
-POW!
A não! Aquela droga de caminhão velho deixou a pista cheia de óleo, agora não sei como vou fazer pra dar de comer meus filhos já que agora estou com esse pé engessado.

Sabe aquela reunião super importante? Vou chegar atrasado por causa do trânsito.
Sabe aqueles R$30,00 que eu ganhei hoje? Só pilotando muito pra conseguir porque não é fácil fazer 30 entregas no mesmo dia.

Enquanto isso os anjos andam de patinete no céu.
postado por: Traquinas! 3:18 PM Comments:



Segunda-feira, Agosto 15, 2005
Um beijo
Em um dia
postado por: Traquinas! 4:42 PM Comments:



Quinta-feira, Julho 14, 2005
Mediocridade

Esse não é post como os outros é só um desabafo, já escrevi muito, escrevo desde os 13 (que eu me lembre), nunca jogo nada fora, mas sinceramente nem sei onde estão todas as coisas que já escrevi um dia, a maioria das coisas ninguém nunca leu, nem mesmo eu, porque não sei exatamente como é o processo criativo das outras pessoas que escrevem mas comigo acontece assim, eu abaixo a cabeça no papel (ou no teclado como agora) e escrevo, se eu não reler na hora e só for ler depois de um tempo pode ter certeza que eu não reconheço nada do que está escrito lá. Não é psicografia, posso garantir (rs), o fato é que as palavras saem dos meus dedos.
Já escrevi algumas coisas que achei aceitáveis, do tipo que se pode ler no banheiro, mas tem outras que realmente deviam ir embora junto com a descarga. Duas dessas coisas realmente ridículas, do tipo daqueles versinhos que apareciam nos antigos caderninhos de recordações (nossa como tô velha!) me renderam dois prêmios em concursos, frases feitas e premeditadas, que eu construí realmente para atingir um público que se emociona quando ouve alguém dizer que ¿as pessoas deviam pensar mais nos outros e não só no dinheiro¿, fui ordinariamente levada a escrever com o cérebro pra manipular pessoas pra um determinado fim.
Daí comecei a refletir na quantidade imensa de livros que são construídos única e exclusivamente para manipular o leitor e deixar seus autores com a conta bancária um pouco maior, uma prostituição de pensamentos, e acabei concluindo que a única forma de sobrevivência é através da venda barata e inescrupulosa da alma aos homens.
Lendo isso até parece que sou uma grande escritora que ganhou milhões com a venda de livros...rs As únicas coisas que eu ganhei foi uma roupa e um fim de semana num hotel, sou uma prostituta da Augusta ainda, quem sabe um dia possa oferecer meus serviços nos Jardins.
postado por: Traquinas! 9:01 AM Comments:



Segunda-feira, Julho 04, 2005
Só para dizer oi, estou chorando...
postado por: Traquinas! 5:06 PM Comments:



Segunda-feira, Maio 23, 2005
Ódio

Sabe o que eu mais odeio em mim? Eu odeio chorar! Eu odeio quando as lágrimas me sufocam na hora de falar, odeio... Mais uma vez eu chorei as minhas lágrimas sem fim quando o que eu apenas queria dizer. ¿Deixa de ser besta, eu dou um grito e essas coisas se resolvem!¿. Eu queria me mover quando eu vi que estava tudo caindo, mas não, apenas chorei. Eu só queria dizer ¿Isso é apenas uma brincadeira besta de moleque¿. Mas eu deixei a porta cair porque só tinha forças para chorar.
Eu queria sorrir na hora em que tudo se resolveu, mas eu apenas chorei. Queria dormir tranqüila, mas ao invés disso meu travesseiro morria afogado.
Eu odeio ter tantas lágrimas que me amarram, eu odeio me deixar ser amarrada por elas.
postado por: Traquinas! 12:57 PM Comments:



Sexta-feira, Maio 13, 2005
Sobre o Nada

O Nada não existe. Tudo no mundo é preenchido por alguma coisa. O pão é cheio de manteiga ou apenas de miolo, o peito é cheio de dor, alegria ou apenas de ar. O vácuo, que um dia tentaram me convencer que é o Nada, está cheio de estrelas que brilham e do astronauta solitário que deve estar com saudades do pão com manteiga com café preto, e sonha com seu peito cheio de dor por estar longe daquilo que muitas vezes pensou que não fosse nada.
O Nada nada mais é que a ausência daquilo que um dia nos deu prova que ainda estamos vivos, antes de virarmos nada.
postado por: Traquinas! 1:11 PM Comments:



Sexta-feira, Abril 29, 2005
Mesa

Estou aqui sentada na minha mesa olhando para um monte de papéis que não me dizem respeito, e dos quais eu vou me livrar daqui algumas horas. Na minha cabeça nada toma um rumo, todas as idéias estão embaralhadas. Penso no passado que já estou convencida que tenho de esquecer porque não alcançarei mais nada do que está lá.
O meu coração me salva, nele há alguém que eu considero ser o verdadeiro proprietário. Queria voltar a escrever sem me preocupar se está bom ou não, mas me sinto agora como o personagem do Camus que só escreve sempre a mesma frase e nunca acha que ela está digna de ser mostrada ao mundo. Enquanto isso o mundo está como sempre parado em sua órbita giratória esperando que a raça humana se extinguir.
postado por: Traquinas! 12:49 PM Comments:



Segunda-feira, Março 21, 2005
O mundo dos antidepressivos.

Nunca pensei que um dia admitiria com todas as letras que sou fraca. Pois é, sou fraca! Agora tenho forças pra dizer que sou nada mais que um daquelas sementes brancas que saem voando com o sopro de uma criança, uma das sementes de uma flor que um dia foi amarela.
Ainda estou voando por aí, não sei se cairei em solo fértil, ou se serei levada pelas águas que descem dos barrancos juntamente com os barracos fracos de gente tão forte que um dia eu vi pela televisão.
-Mais um comprimido doutor!
Só assim me olharei no espelho e virei não apenas aquela florzinha amarela, mas sim um verdadeiro girassol, com sementes suculentas e a cabeça erguida.
-Mais um comprimido doutor!
Não quero ser apenas o Dente de Leão, quero ser leoa capaz de caçar, mostrando a todos quanto sou indiferente ao clima quente da floresta.
-Mais um comprimido doutor!
Só quero fingir que ainda sou a mesma marionete de sempre, não quero voltar a ser guardada na caixa só esperando que minhas peças possam compor novos bonecos. Tenho um cabelo bonito, olhos grandes, podem servir para alguma coisa, mas não quero ser útil quero apenas ser eu.
-Mais um comprimido doutor!
Sou apenas um dente de leão que nasce em qualquer lugar. Só espero cair um dia na terra.
postado por: Traquinas! 4:16 PM Comments:



Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005
Sabe quando o cérebro pára de funcionar? Pois é, aconteceu comigo!
postado por: Traquinas! 2:22 PM Comments:



Segunda-feira, Dezembro 20, 2004
Os presentes de Natal

Andava cambaleante pelas ruas, ainda zonza pela pancada na cabeça de outro dia, sacolas cheias de cheiros, gostos e decepções para as festas. Andava olhando para os carros que voavam, para as pessoas que grunhiam e para os buracos com suas bocas abertas esperando uma perna ou qualquer coisa que passasse por ali.
Não estava feliz nem triste, na verdade estava mais triste que feliz naquele instante de hora, talvez uns cinco minutos antes ou depois voltaria a estar mais feliz que triste, mas isso só os segundos podem cantar.
Uma mão suada encostou na minha, e uma voz parecida vir de um vasinho de flores me tirou da minha ostra.
-Mocinha, compra um x-salada pra ele?
- Claro!
Acho na verdade que a resposta veio antes da pergunta.
-Acredita, que eu acabei de pedir pra um moço e ele mandou eu roubar? Agora a senhora acha que tem cabimento eu me perder por causa de um x-salada?
-Claro que não, vamos lá que eu pago.
-Obrigado moça, é só pra ele, não precisa comprar pra mim não por que eu não tô com muita fome, tô pedindo desde cedo mas ainda não consegui o dinheiro pra comprar um saco de arroz. Um homem altão até me deu uma nota de R$20,00 mas era falsa.
-Então vamos fazer o seguinte, vou lá no mercado compro o arroz, você vai pra casa e faz um almoço mais saudável que um x-salada.
-Nossa moça! Não acredito nisso, claro que eu vou embora, porque ficaram mais dois em casa com a mãe que tá com febre. Olha filho, que pão grande! Quem tem dinheiro pode até enjoar das comidas. Vou ficar aqui fora pro segurança não brigar com a gente.
Entrei sozinha no supermercado, até tinha me esquecido da tontura, não estava nem alegre nem triste mas estava mais alegre que triste, os segundos tinham mudado a canção. Arroz, feijão, macarrão, molho de tomate, olhos amarelos do garoto, bolacha, lágrima dos olhos de pai, óleo, xampu, obrigado, pasta de dente, Deus abençoe, sabonete.
postado por: Traquinas! 1:00 PM Comments:



Quinta-feira, Novembro 25, 2004
...
postado por: Traquinas! 3:48 PM Comments:



Terça-feira, Outubro 05, 2004
As Meninas

Enquanto estava rolando pelo asfalto, pedia a quem quer que fosse, para que nenhum carro passasse por cima de sua cabeça. A outra menina planejava se matar, tomaria veneno para ratos e acabaria de vez com aquele esgoto em que estava metida. A terceira não percebeu o perigo naquele trecho por onde tantas outras vezes tinha passado e cruzado com algumas pessoas pelo caminho, encontrou dois seres abjetos que roubaram a sua dignidade.
O tombo acabou, o trânsito parou, e ela não conseguiu levantar porque o pé estava torcido, ainda não sabia o que tinha a derrubado naquele trecho por onde tantas vezes tinha passado. A outra tomou chumbinho por que tinha sido abandonada pelo homem que ama e sentiu a vida sendo atropelada pelo seu egoísmo. A terceira foi jogada no chão por dois ratos que tomaram conta de seu corpo como se ele fosse apenas um lixo jogado naquele terreno baldio.
Tinha sido o ônibus lotado de pessoas que iriam trabalhar e que chegariam atrasadas por causa daquele lixo de motoqueira que tinha ficado na frente do motorista. A outra sentiu que a vida estava realmente indo embora e se agarrou a ela porque já tinha percorrido um grande trecho até ali e tinha mais coisas mais valiosas do que as que fizeram tomar aquela atitude. A terceira teve seu corpo sujo por aqueles que se achavam no direito de atropelar a vida alheia.
Foi só um pé torcido, já voltou a passar todos os dias pelo mesmo caminho. Foi só uma tentativa de suicídio mal sucedida e um processo por homicídio. Foi a dignidade de uma pessoa jogada no lixo.
postado por: Traquinas! 2:02 PM Comments:



Terça-feira, Agosto 17, 2004
Quase morri atropelada, estou me recuperando mas não tem nenhuma sequela, só um pé torcido. Volto depois.
postado por: Traquinas! 4:04 PM Comments:


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